Capítulo 18
Virginie cai em choro compulsivo. Ela se joga nos travesseiros e grita a dor de ter perdido seu grande amor para sempre. Quando Henri dizia algo com tanto furor era óbvio que jamais voltaria atrás.
- Eu não vou casar com outro, não vou.... Prefiro que a morte me leve... - Virginie chora alto segurando os cabelos - Eu não posso viver sem ele... Não posso...
Genevieve se sentou na cama e passou a mão elas costas da cunhada, engolindo o choro.
- Você não vai perde-lo, minha cunhada. Henri só disse tudo isso porque está de cabeça quente. Eu vou fazê-lo pensar melhor, eu prometo a você, minha amiga. Você e meu irmão não irão se separar!
Virginie se vira pra ela com o rosto lavado em lágrimas.
- Mas ele não volta atrás, Genevieve. Conheço Henri... Minha vida acabou. Eu quero morrer se não... Se não puder mais ver o seu irmão, minha cunhada. Prefiro a morte! -ela diz caindo em choro profundo.
- Não diga uma bobagem dessas, Virginie, olhe pra mim - ela pegou o rosto da cunhada entre as mãos e a olhou. - Meu irmão jamais desistiria de ti, ele te ama de verdade, minha cunhada. E eu também não vou desistir de vocês, eu vou fazer Henri mudar de ideia e logo ele virá aqui, dizendo que você pode namorar com Richard. Você vai ver. - ela deu um sorriso otimista
- Que Deus te ouça, minha cunhada. Que Ele te ouça... - Ela diz a abraçando forte para pegar força.
Genevieve ficou com a cunhada tentando passar algum consolo até vê-la dormir pelo cansaço do choro. Devagar ela sai do quarto e avisa a Nina que volte depois com o jantar dela. A empregada a assente aproveita para perguntar como a princesa está. Genevieve diz a Virginie está inconsolável e que precisará de todo apoio possível. Nina se compadece dela e diz que vai ajudar em tudo que puder. A rainha dá um abraço agradecido nela e pergunta onde o marido estava. A criada responde que o rei se encontra no quarto. Genevieve vai até lá com uma ideia na cabeça e o coração preparado.
Ao entrar no quarto Henri estava de pé olhando o jardim pela janela. Genevieve senta na cama e espera um tempo para começar a falar. Quando inicia, seu tom é baixo e suas palavras saem muito claras. Durante um tempo a rainha protagonizou um monólogo, mas logo em seguida Henri participa dizendo como estava chateado e descontente com toda a situação.
Ela pede desculpa e argumenta os motivos que a levaram a esconder o romance do marido. Ele presta muita atenção no que escuta e tenta digerir tudo aquilo. Genevieve o faz lembrar-se de todas as coisas boas que viveram e o como o clima estava agradável depois das mudanças. Henri é obrigado a concordar com ela. Os dois conversaram até tarde e no fim do dia o rei se propôs a pensar no caso de sua irmã e cunhado.
Apartir da descoberta do romance
escondido Virginie ficou com tanto pânico que mesmo o irmão tendo a tirado da
punição do cativeiro, ela não conseguia mais comer direito ou dormir. Perder
Richard virou uma ideia fixa em sua cabeça e por isso a moça começa a se
entregar novamente ao estado depressivo do passado. Voltou a usar os vestidos
negros, não erguia a cabeça e mal falava. Genevieve fica extremamente
preocupada e questiona o marido por isso. Ele não precisava ter sido tão rude
com a própria irmã. E mais ainda por que se apaixonou. A forma com que Henri
enxergava Richard muitas vezes a tirava do sério.
Com o passar dos dias ao fim de uma
reunião de conselho Paolo pede para conversar a sós com o rei. Henri lhe
concede a permissão e os dois ficam sozinhos no escritório. Paolo tinha
novidade sobre o rei de Vernay e não eram nada boas. Segundo informações
seguras o sogro de Henri, o rei Nicholas tramava casar seu filho com Virginie
para obter vantagens em ambas as terras.Fazendo assim outro acordo em forma de
casamento. O rei de Modrieva novamente leva um baque. De quanta baixaria seu
sogro ainda era capaz? Perguntou a si mesmo. Recordando novamente suas ideias
sobre proibir o romance do casal, ele agora firma esse compromisso de permitir
o envolvimento dos dois.
Ao cair da noite naquele mesmo dia,
Henri chamou a esposa para conversar e contou a notícia que Paolo havia trago.
Em primeira instância ela não acredita que Richard aceitasse um acordo desse
tipo. Imagina, seu irmão não. Henri começa a explicar em detalhes um ideia
dessa flui e logo a memória dela se abre ao dia em que foi "vendida"
em troca da sobrevivência do seu povo. Lembrou-se que por impotência, o irmão
se rendeu a vontade do pai e como ela conhecia bem o velho Nicholas, suspirou
triste ao imaginar tal ato do príncipe.
Após o jantar foi a vez do rei
conversar com sua irmã. Ele comenta tudo que ouviu do conselheiro e diz sua
próprias opiniões sobre o assunto. Por Henri ele não era digno para Virginie.
As respostas da princesa são poucas e monossilábicas. Ela apenas concorda com o
que o irmão e se entrega a vontade dele. Sentia com mais essa, mais uma dor
somada a tristeza profunda. Dias depois Virginie cai de cama. Tem febres altas
que chegam a causar delírios. E neste delírios o nome do príncipe sempre estava
em sua boca. Era óbvio que ela o amava de verdade e precisava dele mais do que
nunca.
Genevieve escreve uma carta muito dura
ao irmão dizendo o quanto estava triste por ele seguir o mal exemplo do pai.
Disse também que o amava, mas que não estava de acordo com o plano de casar-se
com Virginie para conseguir lucros a Vernay. Disse com detalhes o estado de sua
cunhada com toda essa situação. Ao ler a carta Richard fica perplexo e perdido.
Ele não tinha ideia que o pai planejava pra ele o mesmo que fez a sua irmã
caçula. E sobre Virginie seu coração ficou despedaçado. A pobre estava doente
por sua causa, mesmo sendo inocente. Ele tinha que resolver isso, sua amada
estava entregando a vida a própria sorte.
Com o espírito remexido, ele sai cheio
de pesar á procura do pai. Com a ajuda dos empregados descobriu que ele estava
no escritório em reunião com os conselheiros. Então bruscamente ele abre a
porta num empurrão fazendo um barulho que assusta a todos. De irritação até
pelas tampas o príncipe despesa toda a sua com relação ao plano do pai. Disse
que jamais aceitaria algo tão sórdido apenas para não perder as mordomias
reais. Gritando aos sete ventos ele diz que preferia morar com os peregrinos
sob a honestidade do que dentro de um castelo se aproveitando as pessoas.
Os conselheiros ficam chocados,
sobretudo, o rei. Nicholas nunca tinha visto o filho tão alterado e raivoso,
mas antes que dissesse qualquer coisa Richard termina seu discurso dizendo que
em nome do povo de Vernay ele pediria desculpa ao rei Henri por tão grande
insulto. Pois o povo de Vernay não precisava desses compromissos nojentos para
sobreviver.
Assim que terminou, o príncipe saiu da
sala de reunião sem dar tempo para ouvir qualquer um que ali estivesse. Desceu
correndo para o estábulo e preparou seu cavalo. Montou nele e saiu depressa
para Modrieva resgatar sua dignidade e salvar sua amada de um triste fim.
Em Modrieva as coisas não iam nada bem
com a princesa. Henri estava muito preocupado e suas opções para fazê-la
melhorar tinham se esgotado. Acabara de sair do quarto dela e seu estado era
digno de pena. A linda princesa de Modrieva que tinha os olhos tão brilhantes
ao descobrir o amor, agora estavam apagados e sem vida. Por comer muito pouco e
não dormir, perdeu um pouco de peso. Diante disso a rainha teve uma ideia e
comentou com o marido. Henri teve suas dúvidas quando a esposa disse que a
única cura de Virginie era ter Richard a seu lado novamente. A majestade se
reteve, mas com insistência ele acabou concordando.
O céu estava cinzento quando finalmente
Richard entrou em Modrieva. Sentiu o coração oscilar ao chegar nos enormes
portões do castelo. Ao se identificar, viu os soldados se entreolharem e
negarem sua entrada. Com o maxilar travado ele disse que entraria no castelo
custe o que custasse, nem que tivesse que matar um por um, ele tinha de vê sua
amada Virginie! Paolo viu aquela situação e pediu calma, dizendo que iria
perguntar ao rei se o cunhado poderia entrar.
Paolo pediu licença, vendo Henri e
Genevieve na sala de estar e contou que estava se passando nos portões do
castelo. Henri automaticamente disse não a entrada do cunhado. Genevieve
respirou fundo e olhou para o marido com atenção.
- Henri... Eu sei que você está com
raiva do meu irmão, mas todos merecem ser ouvidos. Até agora nós não sabemos a
versão dele, e talvez o que ele venha nos dizer mude toda essa situação. Pense
em sua irmã, que está enferma lá em cima, pense nela. Ela pode melhorar se você
apenas tiver uma pequena conversa com meu irmão.
- Mas Genevieve, eu não quero falar
com ele. Não há nada a ser dito. Tudo está as claras. Ele não diria nada de
novo. - ele responde com o semblante sério
- Pelo o que eu saiba, o senhor ainda
não tem o poder de prever o futuro, Henri. Não seja teimoso, por favor. O que
custa conversar com Richard?
Henri diz não, mas a esposa continua a
insistir até vencê-lo pelo cansaço.
- Está bem Genevieve, está bem! - ele
diz pra ela e se vira para o conselheiro. - Mande-o entrar. - ordenou.
Paolo assentiu e saiu. Minutos depois
voltou acompanhado por Richard, que tinha um semblante desesperado. Assim que
viu o irmão, Genevieve se levantou e foi até ele, o abraçando com força.
- Oh, meu irmão... Como você está?
- Péssimo, Genevieve. - ele murmurou
no ouvido dela, abraçando-a com cuidado por causa da barriga. - Eu não sabia de
nada, irmã, eu juro que não sabia!
- Fico muito feliz em ouvir isso,
Richard. - ela diz, se afastando um pouco.
- Como está minha Virginie? Ela está
melhor? Diga que sim, pelo amor de Deus, Genevieve.
- Ela não está, meu irmão. - a rainha
disse com pesar. - Mas ficará agora que você está aqui.
- Assim eu espero. Quero muito vê-la.
Henri se levantou e se aproximou
deles, parando ao lado da esposa.
- Vê-la para que? - ele disse sério -
Vossa presença não fará bem a ela. Você já a machucou demais com planos que tu
e vosso pai armarão contra ela. Virginie não aceitará vê-lo, tenho certeza.
- Sei muito bem o que pensas de mim,
Henir, mas estás errado. Eu não sabia sobre o plano de meu pai, soube por
intermédio de Genevieve, que me contou na carta que me enviou.
O rei olha para a esposa e revira os
olhos. Voltando a atenção pra ele novamente disse:
- Não sabia ou só porque caiu tudo por
terra, estais querendo fugir da culpa? Minha irmã não é digna de pena para ninguém.
- Eu não sinto pena de Virginie, eu a
amo! A amo com toda a força do meu coração e farei de tudo para tê-la de volta,
Henri. Ao contrário de você, que precisou chantagear o meu reino para ter a mão
de minha irmã, eu quero sua irmã para mim da forma mais digna que existe. Não
gosto de jogo sujo, não gosto de mentiras, Virginie me conhece e me ama também.
Nem você e nem ninguém podem impedir o que sinto por vossa irmã!
- Reconheço que meu ato não foi
lícito, com sua família e reino, mas foi necessário na época. E do contrario do
que dizes sobre mim, eu também amei sua irmã desde o primeiro dia que a vi.
Portanto, lave a sua boca antes de falar o que não sabe. Henri respondeu
duramente.
- Pois eu digo o mesmo. Também falas
sobre o que não sabe, Henri. Não sabes do que eu sinto por sua irmã, não sabes
do amor que nutrimos um pelo o outro. Não sabes o mal que estás no causando.
Ponha-se em meu lugar, gostaria de estar afastado de Genevieve, sabendo que ela
está doente e você não pode fazer nada porque lhe impedem de vê-la? - ele
pergunta, pegando no ponto fraco de Henri.
Quando Henri ia responder-lhe a altura
Nina desce as pressas as escadas. Ao ver os patrões disse que a princesa estava
a delirar novamente e que a febre não estava cedendo. Henri imediatamente se
pôs mais preocupado e olhou para a esposa, depois para Richard. Suspirou
profundamente. Até quando Virginie aguentaria essa batalha por sua vida? Ele se perguntava em
fração de segundos. Dando um passo atrás deu passagem ao príncipe disse
a empregada:
- Nina, leve-o até o quarto de
Virginie, agora! Já que é assim, não vamos perder tempo. Você pode
acompanha-la, Richard.



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