quinta-feira, 26 de junho de 2014

Royals Love_Capítulo 15

Capítulo 15

O dia amanheceu nublado, deixando bem claro que uma tempestade muito forte havia passado por ali. Henri acordou e se levantou, dando um beijo na testa e na barriga da esposa antes de ir se arrumar. Uma hora depois voltou ao quarto e chamou a esposa, fazendo-a acordar para que tomassem o café da manhã juntos. Quando desceram, encontraram Virginie sentada em um dos sofás da grande sala de estar, folheando um livro.

Ao vê o irmão e a cunhada ela sorriu alegremente e se aproximou, abraçando-os. Estava muito feliz porque seria tia e todos os dias conversava com o bebê na barriga, que ainda não tinha se mexido. Genevieve estava com cinco meses de gestação e as velhas senhoras que trabalhavam no castelo falavam que logo, logo o bebê começaria a mexer e não pararia mais até a hora de nascer. Todos na casa estavam excitados para que isso acontecesse logo. Sentaram-se a mesa e começaram uma conversa agradável enquanto comiam. Agora que a fase dos enjoos haviam passado um pouco, Genevieve conseguia comer um pouco melhor, o que deixava seu marido satisfeito. Henri não gostava nada de quando ela não comia, e a olhava rigorosamente, principalmente em suas refeições. Ainda estavam conversando quando Paolo apareceu na sala de jantar. Ele limpou a garganta e os três olharam pra ele, que tinha uma expressão nula no rosto, como sempre.

Henri olhou pra ele e disse:

- Bom dia Paolo, aconteceu alguma coisa?

- Bom dia a todos. - ele disse, olhando para a princesa e a rainha. - Aconteceu, Henri. Acabo de receber a notícia pelos soldados de que a chuva de ontem destruiu boa parte do Vilarejo... Há muitos desabrigados, entre eles crianças, idosos e mulheres grávidas.

- Oh meu Deus! - Genevieve murmurou, colocando a mão na frente da boca.

- Santo Cristo! - Virginie sussurrou pondo a mão sobre o peito.

- Minha nossa! - Henri murmurou - Você sabe se há muito feridos?

- Não sabemos em quantidade, mas parece que há poucos... Há mais muitas pessoas desabrigadas. - Paolo disse, com pesar. - Por sorte alguns conseguiram sair antes que a água entrasse em suas casas.

- Céus, isso é terrível! - Genevieve murmurou, voltando seu olhar para o marido. - Henri, nós precisamos fazer alguma coisa, não podemos deixá-los desse jeito.

- Vou mandar os soldados para ajuda-los, minha rainha. Não se preocupe. - Henri disse a ela e se virou para o conselheiro - Paolo mande as tropas para o vilarejo e vejam do que precisam. Deixe apenas a segurança do castelo.

- Não, Henri, estou dizendo que nós temos de ir lá, não apenas os soldados. Temos que vê de verdade do que eles precisam, e poderíamos arrecadar roupas, e levar comida. - ela diz, preocupada.

- Isso mesmo meu irmão, não podemos ficar parados aqui. Eu sinceramente não consigo me alimentar sabendo que a crianças e famílias sem nada. - Virginie disse com a mesma preocupação da cunhada.

- Virginie, não coloque lenha, por favor! - Ele pediu. - Paolo, faça o que mandei.

- Mas Henri pense se fosse conosco! - Virginie insiste - E se fosse Genevieve e o bebê, eu e você... Pense meu irmão, por Deus!

O rei não gostava nem um pouco de voltar atrás em suas decisões e se mantém impassível diante dos fatos.

- Henri, estamos falando do seu povo, do nosso povo, que carrega esse reino nas costas, muito mais do que todos nós que somos ricos! Eles precisam de ajuda e se você, que é o rei, não pode ajudar, Virginie e eu certamente podemos e é isso que vamos fazer, com ou sem a sua ajuda! Entendeu? - Genevieve diz, levantando-se da mesa.

- Genevieve, sente-se e termine seu café da manhã, por favor. - ele diz sério - Eu acabei de enviar ajudar por Paolo. Você viu!

- Sim, eu vi, mas isso não é o suficiente, Henri!

Ele fecha os olhos e respira profundamente. Ao abri-los estão mais sérios que antes.

- Entendo seu ponto de vista minha esposa, mas se for sem comer ajudar os peregrinos vai pode sentir mal e não trará auxílio a ninguém. Será apenas mais uma precisando de apoio. Portanto, sente e coma. Depois podemos passar lá para que mate seu desejo. Entendeu?

- Eu já comi o suficiente, Henri, não sinto mais fome. - ela diz, também séria. - A única coisa que quero fazer agora é ajudar a todo àquele povo. Não consigo parar de pensar no quanto estão sofrendo enquanto nós estamos aqui, de braços cruzados!

- Não estamos de braços cruzados, Genevieve, entenda! Estou preocupado com você e nosso filho. Não sei o que podemos encontrar. Você está numa situação delicada. Quero protegê-la apenas isso.

Genevieve respirou fundo e se sentou, pegando as mãos dele nas suas.

- Henri, preste atenção. Nosso filho e eu estamos bem, nós temos uma casa confortável pra morar, nós temos uma situação boa. Aquele povo já não tem muita coisa e o pouco que tem eles acabaram de perder. Eu estou angustiada por eles e pode ter certeza que ficar dentro desta casa enorme, enquanto eles sofrem me fará muito mais mal do que agora. Entende o que quero dizer? Eu preciso ajudá-los. Sempre fui assim e não vai ser agora que irei mudar.

Virginie e Paolo assistem a cena em silêncio. Genevieve olhava fixamente para o marido esperando uma resposta. Ele pos sua vez fica pensativo com todos os argumentos que ouviu. Imaginou estaria o seu povo. Povo que ele prometeu cuidar até o fim de seus dias, quando recebeu a coroa. Sua cabeça ferve em segundo.

- Paolo...

- Sim, Henri.

- Mande preparar os cavalos, vamos todos ao vilarejo. - ele disse e olhou pra a esposa.

- Ah! Obrigada, Henri! - Genevieve sorri e beija o marido, agradecida.

Henri forçou um sorriso a esposa para agrade-la, mas por dentro ele estava muito receoso com que iriam encontrar.

Quando terminaram o café, o casal foi para o quarto se trocar e Virginie foi fazer o mesmo. Quando saíam Henri pediu que Paolo os acompanhasse. O conselheiro obedece sem pestanejar. Então com os cavalos prontos o rei e sua família desceram com as tropas para o vilarejo. Minutos depois quando começam a se aproximar as ruínas já podiam ser vistas. Adentrando a cidade visão piora. Casas e pequenos rebanhos estavam destruídos. Pouquíssimas casas se mantinham de pé e outras estavam inclinas prestes a desabar.

Era um completo cenário de batalha. Virginie tinha a mão no estômago para segurar o choro, mas algumas lágrimas caem mesmo sem querer. Era muita tristeza. Genevieve estava compadecida pela situação dos moradores. Em todo o tempo de vida nunca tinha visto destruição tão grande. Henri mantém o olhar atento diante da situação. As coisas que sua esposa disse começam a fazer todo sentido. Ele desce do cavalo e entrega-o nas mãos de um soldado. Caminhou a pé por entre as ruínas. Os moradores olhavam para ele sem saber como reagir direito, por o rei não costumava se aproximar tanto de seu povo. Ele era mais conhecido por seus decretos e suas raras aparições.

- Enfim meu irmão conhecerá o seu povo... - Virginie murmurou, para que a cunhada ouvisse.

- Já estava mais do que na hora. - ela respondeu no mesmo tom, olhando ao redor. - É tudo tão triste Virginie...

- Sim minha cunhada, espero que não tenha feridos graves. - ela disse com pesar. - Vamos descer? Eu a ajudo a caminhar.

Genevieve assentiu e desceu junto à cunhada. Começaram a andar por entre os destroços, enquanto o povo as observava em silêncio. Quando se aproximaram de Henri, ela segurou firme em sua mão, olhando para o marido.

- Nós vamos conseguir ajudá-los e isso vai passar, meu amor. - sussurrou no ouvido dele.

- Agora tudo faz sentido, Genevieve. Eu nunca... Nunca estive com meu povo. Eu nunca vivi, nunca sofri com eles... Deus! - ele sussurra de volta travando o maxilar para não se deixar abater diante deles. - Você está certa, sempre esteve. Vamos ajuda-los a se reerguer. - Ele disse tocando o rosto dela

- Sim, nós vamos - ela passa os dedos pelo maxilar cerrado que ele mantinha. - Todos eles precisam conhecer o rei maravilhoso que eles têm, como você também precisa conhecer o povo maravilhoso que mora em suas terras. As vezes catástrofes como essas acontecem por um propósito, Henri. Creio que esse seja o propósito, aproximar você de todos eles.

Ele assente.

- Se assim foi premeditado, assim será, minha rainha.

Ele beija a testa da esposa e se afasta, e vai à direção de um grupo de homens, lhe oferecendo ajuda. Os moradores ficam sem jeito, mas Henri insiste que está ali por eles e que assim será daquele dia em diante.

Ainda com um pouco de receio os moradores aceitam a ajuda do rei. Ao ver o que Henri estava fazendo ficou surpreso. Desde o dia que entrou para o conselho nunca tinha visto o rei Dimir se dirigir aos peregrinos e muito menos seu filho. As coisas tinham mudado e para melhor. Os soldados recebem ordens expressas para auxiliarem na construção de novas casas e celeiros para os moradores do vilarejos. Todos tinham que por a mão na massa, este era o novo decreto.

Genevieve e Virginie mal podiam conter a alegria por ver o novo comportamento de Henri. Só uma tragédia daquele porte foi capaz de amolecer seu coração. A jovem rainha lembra-se que Virginie tinha razão quando disse que ele era bom. Precisava apenas de tempo e paciência.

Depois de ficar alguns minutos observando os homens trabalhar, Virginie e Genevieve se aproximaram das mulheres e das crianças, que estavam reunidas em uma casa grande, uma das poucas que ficaram de pé. No começo elas ficaram um pouco tímidas, mas logo começaram a contar sobre o desespero que passaram durante aquela madrugada, tendo que tirar as crianças de casa no meio da chuva. Toda aquela confissão só provava a Genevieve e Virginie, que elas não poderiam estar em outro lugar a não ser ali.

Logo uma nova tropa de soldados chega ao vilarejo. Eles trouxeram mantimentos para que as mulheres pudessem fazer comida, água e roupas. Assim que receberam tudo, Genevieve e Virginie colocaram a mão na massa com as mulheres de família, começando a fazerem a comida, distribuir as roupas e dar água as crianças.

A manhã a tarde foram intensas, cobertas de trabalho e mais trabalho. As três horas o almoço ficou pronto e uma logo mesa ocupou a sala de jantar, onde um verdadeiro batalhão se juntou para comer. Naquele momento não havia mais timidez, Henri já havia feito amizade com seu povo, tratando-os com gentileza e cordialidade. Quando a noite começou a se formar, varias casas já estavam de pé e as outras foram reformadas. Henri chamou Genevieve e Virginie para irem embora. Elas estavam contando história para as crianças, que fizeram um grande círculo ao redor das duas, esquecendo-se de todo o tormento que haviam passado. Aquilo o fez sorrir, sua esposa e sua irmã, quando se juntavam, encantavam todos ao seu redor.

Ele ficou em um canto, esperando que elas terminassem de contar a fabula para as crianças, no final, uma garotinha dormia aninhada ao colo de Genevieve e um menino estava sentado no colo de Virginie. Isso o fez se lembrar de que a esposa estava grávida e que precisava descansar; o dia fora muito intenso e ele a colocaria para comer e dormir, nem que tivesse que obriga-la. Com um sinal, ele as chamou. Despediram-se de todas as pessoas, que os agradeciam pela enorme gentileza que tinham feito. Henri foi embora com a promessa de que voltaria no dia seguinte, para vê como tudo estava na cidade.


Continua...

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