Capítulo 8
No dia seguinte bem cedo Henri
despertou se sentindo leve demais. Sonolento viu que a esposa não estava mais
sobre o seu peito. Olhou no quarto até virar de lado e vê-la deitada de bruços
com o cobertor cobrindo apenas do quadril para baixo. A observou por vários
minutos, admirando cada linha daquele corpo tão bem feito pela natureza.
Suspirou. Henri se aproxima e dá um beijo em seu ombro nu.
- Acorde, minha esposa... - sussurrou
em seu ouvido - o dia nasceu.
- Não... Me deixe dormir mais um
pouco. - ela pediu, virando o rosto pro outro lado.
Ele balança a cabeça sorrindo de lado.
Passou a mão nos cabelos dela e beijou seu ombro novamente.
- Temos que levantar, princesa
preguiçosa. - murmurou - Vou pedir a Nina que venha ajuda-la a se vestir. A
estarei esperando para o café da manhã. - ele disse.
- Tenha piedade de mim, Henri... Fomos
dormir muito tarde ontem... - ela choraminga.
- Tudo bem, Genevieve. Mais uma hora
de sono e nada mais. – Alexander disse saindo da cama - Exijo sua companhia na
primeira refeição. Entendeu?
- Você exige coisas demais, meu rei
abusado... - ela murmura, voltando a sono profundo novamente.
Vestindo suas roupas Henri sorriu com
o "meu rei" que a esposa tinha deixado escapar. "O que uma noite
de amor não faz?" pensou enquanto sorria. Quando ficou pronto saiu do
quarto e chamou Paolo. O conselheiro se põe de prontidão assim que é
solicitado. Perguntou sobre a irmã, ele soube que já estava acordada mas não
tinha descido. Assentindo Henri pediu que chamasse Nina para o quarto da esposa
a fim de ajuda-la a se vestir para o café da manhã. Paolo assentiu com
reverência e disse que faria tudo num instante.
Uma hora e meia depois, Henri e sua
irmã estavam sentados à farta mesa quando Genevieve adentrou a sala com rubor
na face. Virginie a olhou com ternura para saudá-la:
- Bom dia, Genevieve. - disse a
princesa.
- Bom dia, Virginie. - ela sorri de
leve. - Bom dia, meu esposo.
- Bom dia, minha rainha. Dormiu bem? -
perguntou com um sorriso torto.
- Sim, muito bem. - ela diz, olhando
pra ele como se falasse o óbvio. Ficou feliz ao saber que o humor dele estava
melhor. - Como foi sua noite, Virginie?
- Foi... Foi muito boa. Descansei o
necessário, minha cunhada. - Respondeu surpresa com o novo humor da princesa.
Ela olhou discretamente para o irmão discretamente o viu sorrir culpado.
- Isso é ótimo. Eu queria poder
descansar mais, mas seu irmão é um tanto exigente com horários. - ela revirou
os olhos, deixando claro seu bom humor.
O café da manhã seguiu com uma
conversa amena. Genevieve estava realmente disposta a se relacionar bem com os
dois. Depois de sua noite de núpcias, percebeu que não adiantaria tentar se
fechar em um mundo só dela, porque querendo ou não, ela iria conviver com Henri
e Virginie pelo resto de seus dias. Tinha de se adaptar e conhecê-los melhor.
Assim que terminam o café, Henri chama a esposa em um canto e se despede dela,
dizendo que voltaria ao fim da tarde. Precisava resolver problemas do reino e
tinha uma reunião com seus conselheiros. Depois de um beijo amoroso, ele sai de
casa junto a Paolo.
Ao se vê sozinha na grande sala de
estar, Genevieve foi até a cozinha. Quando morava com seus pais, adorava passar
tempo na cozinha com suas empregadas, conversando e aprendendo várias receitas.
Ao verem a rainha as empregadas fizeram reverência e perguntaram se ela
precisava de alguma coisa. Genevieve sorriu e disse que queria apenas conversar
com elas. Passou boa parte da manhã conversando com as serviçais, inclusive
Carlota e Nina, que estavam encantadas com o caráter da nova rainha. Duas horas
antes do almoço, Genevieve perguntou onde Virginie estava, Carlota disse que a
princesa estava no jardim, lendo. Pedindo licença, ela respirou fundo e foi até
a cunhada, que lia um livro em silêncio.
- Olá. - murmurou, sentando-se ao lado
da princesa.
- Olá, Genevieve. Chegaste há muito
tempo? - Falou preocupada - Quando leio acabo saindo do mundo.- Ela sorri
tímida.
- Não, eu cheguei agora. - ela sorriu
e olhou para cunhada. - Virginie, eu... Queria te pedir desculpas pelo modo
frio e distante como te tratei nos últimos dias. Eu estava passando por uma
situação tão difícil e não queria mudar minha linha de pensamento. Me perdoe. -
ela pediu, sincera
- Tudo bem, Genevieve. Não há o que
perdoar. - diz sincera - Eu imagino como deve ser difícil sair de casa e se
casar... Bom, se casar com meu irmão não é pra qualquer moça. - ela sorri - Henri
tem uma personalidade muito singular. Acredito que tenha percebido alguma
coisa.
- Ah eu percebi, pode ter certeza. -
ela diz, balançando a cabeça. - Ele é quase como um código pra mim, um código
bem difícil, diga-se de passagem.
Virginie sorri olhando pra ela.
- Acredite, sou irmã dele e às vezes
não o reconheço. Mas Henri no fundo tem um bom coração... Ele apenas precisa
descobri-lo em si mesmo.
- Eu espero que sim. - ela murmurou e
olhou pra cunhada, sorrindo de lado. - O meu irmão me falou muito bem de você,
sabia?
- Fa... Falou? - ela diz surpresa,
logo ruborizando as maçãs do rosto.
- Sim.... - ela disse. - Ele me disse
que a conheceu no dia da coroação de Henri. Me contou sobre a luta de vocês. -
ela deu uma risadinha. - Confesso que fiquei curiosa, nunca vi uma dama com uma
espada na mão.
O rosto de Virginie de cobriu em
vermelho. Queria a todo custo se esconder, mas não era possível. O único jeito
era encarar a situação de frente.
- É verdade. Nós... Duelamos naquela
noite. - Sorriu envergonhada. - Luto desde a morte de meus pais. Foi uma
maneira de amenizar a dor... Qualquer dia podemos fazer o mesmo se quiser.
- Eu adoraria, apesar de achar que sou
um desastre pra isso. - ela riu. - Falo sério, não sei se saberia segurar uma
arma desse tamanho, vou machucar alguém.
- Não se preocupe, minha cunhada.
Podemos treinar primeiramente com uma espada de madeira e quando estiver mais
segura, partimos para o metal. - Disse ela. - Mas há outro exercício que seria
mais do seu agrado... Arco e flecha. Este é muito, exige apenas precisão.
- Todos eles eu posso usar pra agredir
seu irmão fisicamente quando ele me irritar? - ela perguntou com senso de
humor.
Virginie gargalhou com a mão na frente
do rosto.
- Se ele lhe irritar, terá ajuda,
minha cunhada. Conte comigo.
- É ótimo saber que terei uma ajuda! -
ela sorriu. - E sobre meu irmão... Ele é realmente o que demonstra ser,
Virginie. Não falo isso apenas por ele ser meu irmão, mas porque ele é
verdadeiro e fala sobre você com uma grande fascinação. Quero que saiba que se
precisar de ajuda quanto a ele... Para vê-lo ou algo do tipo, pode contar
comigo.
Novamente as bochechas da princesa
coram.
- Agradeço vossa compreensão,
Genevieve. Teu irmão é um homem especial e gosto muito dele. Apesar de nos
vermos pouco. Mas... És casada com meu irmão e Henri jamais aceitaria que eu...
- ela abaixa a cabeça, entristecendo.
- Ele pode não aceitar no começo....
Mas se vocês dois provarem a ele que se amam de verdade, tenho certeza que ele
pensará sobre isso. - ela disse. - Está tudo muito recente, Virginie, vocês
ainda tem de se conhecerem, e podem fazer isso sem o conhecimento de Henri. -
ela sorriu de lado, o espírito rebelde sempre falando mais alto.
Virginie mordeu o lábio com um sorriso
esperançoso na face.
- O que minha cunhada sugere que eu
faça? Sinto tanta falta do vosso irmão.. - suspirou.
- Escreva uma carta pra ele. Eu posso
pedir para um dos conselheiros de Henri entregar a carta no meu nome. Informe
na carta para que ele a mande de volta endereçada a mim. Assim vocês poderão
conversar sem levantar suspeitas.
Um sorriso de fez mais presente no
rosto da sonhadora princesa Virginie. Num impulso em agradecê-la, abraçou
apertado a cunhada.
- Muito obrigada Genevieve, muito
obrigada. Enfim, vou poder falar com meu amado... - ela sorria de uma orelha a
outra. Voltou o olhar a cunhada. - Como posso agradecê-la devidamente, minha
cunhada?
- Apenas me prometa que vamos ser
amigas... Ficamos tão sozinhas nessa casa enorme... Tenho certeza que
precisaremos muito uma da outra.
- Sim, é verdade. - Virginie assentiu
- Podes me considerar uma irmã Genevieve. Tens o meu apreço. - Disse sincera.
- Tens o meu também, Virginie. - ela
sorriu. - Meu irmão vai adorar saber que finalmente ficamos amigas.
- Vai sim. - ela sorri também - Em
nosso último encontro ele pediu que cuidasse de você por ele. Aceitei de bom
grado, pois além do parentesco você é parte da família agora.
- É, eu também vou cuidar da princesa
dele. - ela piscou.
Virginie riu e as duas continuaram a
conversar. Descobriram uma afinidade que não tinham encontrado em nenhuma
amizade antes, fazendo-as se aproximarem ainda mais.
Quando chegou em casa, Henri ficou
surpreso ao encontrar a esposa e a irmã sentadas no sofá com uma xícara de chá,
sorrindo e cochichando como amigas de infância. Nunca pensou que poderiam pegar
afinidade de uma forma tão rápida, mas ficou contente com o que viu. Sua irmã
sempre fora muito sozinha e com a morte da mãe havia se fechado para o mundo.
Seria realmente muito bom que ela tivesse uma amiga, como também era muito bom
que sua esposa também fizesse uma amizade. Não poderiam ser melhor uma para a
outra.
A semana passa rapidamente. Virginie
estava cada vez mais contente. O plano de Genevieve dera certo! Sua primeira
carta chegou a Richard e dois dias depois a resposta chegou. Logo que Henri
saiu de casa, Genevieve fora correndo entregar a carta do irmão para a cunhada
e isso se seguiu por toda a semana. A última carta do amado dizia que ele iria
passar o final de semana em Modrieva, na casa de sua família e que iria vê-la.
Virginie estava quase flutuando pela notícia, finalmente iria vê seu príncipe
tão amado.
Quanto a Genevieve e Henri, o casal
estava à mil maravilhas, como a princesa nunca pensou que estariam. A cada dia
eles se abriam mais um para o outro, depois de fazerem amor ele sempre dizia
que a amava e a fazia se aconchegar em seu peito, para dormirem juntos. Por
mais incrível que pudesse parecer, Genevieve estava se sentindo bem naquele
castelo tão grande, rodeada por empregadas dóceis, uma amiga maravilhosa e um
marido amoroso. Esperava do fundo do coração que tudo continuasse assim pelo
resto de seus dias.
Continua...
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