Capítulo 3
No salão Henri conversava com alguns
nobres quando a música do baile começa a tocar. Seus olhos imediatamente
procuraram por Genevieve, a linda princesa que não sai do seu pensamento desde
que a viu pela primeira vez, pela rua falando com uma peregrina. Essa ideia de
igualdade o incomodava, mas logo que a princesa estivesse em seus poderes isso
ia mudar.
Quando sua vista a alcançou entre os convidados
, pediu licença e foi de encontro a ela. Genevieve conversava com mais duas
moças quando o rei chegou perto delas.
- Boa noite senhoritas. - Disse a
todas e se virou para Genevieve. - Será que a linda princesa me daria a honra
desta dança? - Falou num tom galanteador.
Genevieve o olhou, observando as duas
outras moças suspirarem ao vê o Rei tão de perto. Guardando uma resposta mal
educada, ela sorriu de leve e se virou para as duas.
- Alguma das senhoritas daria a honra
dessa dança ao Rei?
Henri não podia acreditar naquilo. Ela
tinha dado um fora nele? ninguém nunca deu um fora nele. Aquela carinha de anjo
sabia esconder a diabinha que saiu por seus lábios, mas ele não se mostraria
fraco pra uma mulher. Isso jamais!
- Acho que a senhorita não escutou
bem. Com o perdão das moças presentes, o convite foi feito a senhorita mesmo,
Princesa Genevieve... Vais me negar uma simples dança?
Os olhos das moças arregalam
percebendo o clima pesar entre rei e princesa.
- Ah... Perdoe-me, Vossa Majestade, o
senhor não tinha citado nomes. - ela sorriu de leve. - Mas creio que não seja
de bom tom uma moça solteira dançar com um homem para todos verem... Me
desculpe, mas não posso aceitar.
Ele sorriu de lado. Henri olhou para as moças junto a
Genevieve dizendo:
- Com licença senhoritas, mas precisamos de privacidade. As moças olham para a princesa e saem cheias de inveja contida.
O rei volta a atenção para a sua linda
princesa.
- Pronto, podemos conversar à vontade.
- ele sorriu - Continuando... Não sou qualquer um, cara donzela... Qualquer
moça neste salão daria um braço para ter a oportunidade que estou lhe dando..
Porém, nenhuma me agrada como a senhorita. - Sorriu de leve.
Genevieve olhou discretamente ao
redor, vendo que a maioria das pessoas estavam realmente os observando.
Alexander era a estrela da noite e onde quer que ele estivesse, era óbvio que
iria chamar a atenção.
- Tudo bem. - ela murmura, deixando
bem claro que estava contrariada
Henri dá o braço pra ela entrelaçar o
seu. Genevieve revirou os olhos saindo com ele daí até a biblioteca.
Quando se encontram sozinho o rei
continua a conversa:
-
É impressionante que uma princesa tão bela não aceite uma dança comigo. - disse
olhando pra ela - Por que me negas?
- Porque não sou como as outras
mulheres com quem deve estar acostumado a se relacionar, Rei Alexander. Sua
posição social não me impede de negar uma dança ao senhor.
- Não é necessário discutir sobre, o
que digo é Lei, frágil donzela.
- Vossa majestade
me arranca boas risadas... Está um tanto tarde pra fazer piadas, não acha?
- Não acho.
Definitivamente sou péssimo em fazer gracinhas, principalmente neste horário. Quando a noite se faz presente prefiro outros sons à risadas e arroubos
desnecessários. Deveria saber disso, donzela, já que está prestes a pertencer a
mim por completo.
- Desculpe-me,
mas creio que Vossa Majestade está um tanto quanto equivocada ao pensar que
serei sua com tanta rapidez. Deveria medir um pouco sua audácia, meu senhor.
Até conseguir provar pra mim que é digno de me receber como sua, terá o
tratamento que merece: apenas o respeito que uma cidadã tem que ter por seu
Rei. Nada mais do que isso
- Em primeiro
lugar, além do respeito cada cidadão deve obediência absoluta ao Rei. Segundo,
minha audácia nada tem a ver com maltratar pessoas, se é o que pensas. Ao
contrário, acredito que ser audacioso atrai pessoas, sobre tudo donzelas tão
independentes como a senhorita. - Falou sorrindo de lado. - E finalizando, não seja
tola como as outras e sinta-se privilegiada, minha cara. Desfrutaras da
companhia do Rei, isto deve deixa-la satisfeita.
- Realmente deve
ser incrível ficar ao lado de uma pessoa tão carismática como o senhor. Creio
que seria uma falta de respeito fazer o contrário. - ela murmura, com sarcasmo.
- Seu linguajar é
afiado como a espada que carrego na bainha, senhorita. - ele ri - Se usasse
calças compridas poderíamos resolver este empecilho num duelo, mas como és uma
donzela farei melhor... - Ele se aproxima a pegando pela cintura. Encostou na parede
com os rostos bem próximos - E agora, my lady, vais continuar sendo tão
implicante com o seu senhor?
Genevieve
levantou o rosto e o olhou com o nariz empinado.
- Vossa Majestade, desculpe-me perguntar, mas sua mãe e seus educadores não lhe
ensinaram que é falta de modos atacar uma mulher solteira e indefesa?
- Agora falas
como uma incapaz.. - ele ri - Surpreendente! Outrora estavas cheia de poderes,
e no dado momento queres que eu a liberte. - Henri desliza dois dedos sobre a
lateral do rosto da princesa - Creio que seu pedido não poderá ser cumprido,
minha cara, o seu Rei precisa ensinar-lhe boas maneiras.
- Pode ficar
tranquilo quanto as minhas boas maneiras, Vossa Majestade. Minha mãe fez
questão de mostrar como devo me portar em cada situação. Sinto em lhe dizer,
mas não cabe ao senhor a incumbência de me ensinar algo. - ela diz, sem se
mostrar abalada.
- Ótimo ouvi-la
dizer isso, assim me poupa de discursos intermináveis. Lady Genevieve... Tens
consciência que seu nome é como um sussurro quente em noite fria? - Ele disse
apertando a cintura dela com as mãos. - És muito bela para ficar sozinha por
aí... Pode ser perigoso. - Murmurou com o hálito limpo e caloroso.
- Sei que é
perigoso, Vossa Majestade. Por isso, onde quer que eu vá, meu pai faz questão
de que seus subordinados me acompanhem. Preso sua preocupação, mas a mesma é
totalmente desnecessária.
- A donzela não
entendeu o que quis dizer. Terei de mostrar com ações, se me permite.... -
Henri sorria de lado, tentando seduzi-la.
- Prefiro que seja
objetivo e fale, vossa majestade.
- Como quiser, my
lady.... - Henri cola os lábios no ouvido dela e sussurra - Seu Rei deseja beijar os lábios desta
donzela implicante de beleza encantadora.
Genevieve
repreende um suspiro, mordendo o lábio inferior.
- Meu Rei não é
meu marido... Então não pode exigir algo assim. - ela murmura
- Mas não estou
pedindo vossa mão, minha cara, quero apenas saber que gosto tem seus lábios e
me deliciar com eles. - Ele disse encostando seu corpo no dela. - Devo
lembra-la que Sou o Rei destas terras, jovem Genevieve.
- Disse muito
bem, vossa majestade: És Rei destas terras, não meu dono. O senhor manda nelas
e não em mim, que ao menos moro no seu reino. - ela diz, olhando pra ele com
audácia. - Procure uma de suas súditas e beije a elas.
- Já o fiz, minha
cara, e de antemão confesso que nenhuma delas me atrai. São fáceis e fazem o
que mando, sempre. As concubinas estão em declínio. Eu a quero agora,
Genevieve, isto é uma ordem real. - Disse rouco e autoritário
- Não tenho culpa
se estás insatisfeito com as mulheres de seu reino, vossa majestade. Mas não
mandas em mim e quero deixar bem claro que jamais mandará. - ela tenta passar,
mas ele a prende mais na parede. - Se puder sair de minha frente, eu
agradeceria.
- Novamente terei
que repetir, óh céus! A jovem donzela lava bem os ouvidos quando se banha? -
ele franziu a testa, mas logo riu de lado.
- Creio que minha
higiene não seja da sua conta, vossa excelência, assim como toda a minha vida!
- ela diz, irritada
- Não sinta ira,
minha cara. Sua frustração vai se dar por encerrada apartir de agora....
Com posse o Rei
Henri tomou os lábios da princesa. Relutante, ela se mexe para escapar dele,
mas não consegue. Os braços fortes da majestade a aprisionando contra a parede.
O beijo se dava intenso e violento, mas depois que o rei usou a língua para
prova-la melhor, a jovem começou a se desarmar. Aos poucos houve retribuição da
para dela. Henri desliza a mão pela coxa dela puxando o vestido para tocar sua
pele branca. Ao fazer isso levou um empurrão da princesa.
- Nunca mais ouse
tocar em mim, Rei Alexander! Não me confunda com uma das mulheres fúteis com
quem já ficou um dia, pois estou muito longe de ser uma delas! Eu fui clara? -
ela pergunta, limpando os lábios no final
- Jamais eu a
confundiria com outras mulheres. Você é única! Quanto a toca-la isso é só uma
questão de tempo. Em breve estarás em minha cama fazendo o que eu quero... Obedecendo ao seu rei. - Ele disse passando o dedo no canto dos lábios.
- O senhor é tão
prepotente! O que o faz pensar que eu me deitarei com o senhor? Confesso que
estou bastante curiosa para saber o motivo de seus devaneios.
- Garanto que não
são devaneios que farão a senhorita se deitar comigo, pelo contrário, os
motivos são reais, porém não lhe competem saber. Não ainda. - Ele disse - É
deveras curioso a donzela repelir o beijo que lhe dei e ainda permanecer
aqui... - Ele cruza os braços sorrindo - Acaso desejas outro privilégio do
vosso rei?
Genevieve o olhou
de cima a baixo, recusando-se a cair naquele joguinho idiota ao qual o rei
estava fazendo. Respirando fundo, ela deu dois passos para se retirar da
biblioteca:
- Passar bem,
vossa majestade. - ela murmura e sai, batendo a porta atrás de si.
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Enquanto isso, no
jardim, barulhos de espadas se chocando era audível. A princesa Virginie e o
príncipe Richard "lutavam" em meio a risadas e provocações. Quando
cansaram, Virginie se sentou no banco e Richard a acompanhou.
- Devo confessar...
Achei uma adversária a minha altura, princesa Virginie! - ele riu.
Creio que encontrei o mesmo, príncipe
Richard. - Sorriu olhando pra ele - Obrigada por me tirar de lá... Minha
realeza, às vezes é um fardo. - Falou tímida.
- De nada, senhorita. A minha também
é, apesar de eu ser homem e ter mais liberdade, tem horas que simplesmente da
vontade de jogar tudo pro ar. - ele suspirou e logo depois sorriu. - É sempre
bom ter um pouco de diversão. Podemos fazer isso mais vezes.
- Eu adoraria. Podemos marcar outros
duelos. Prometo deixar você ganhar na próxima. - Ela sorriu divertida e
relaxada.
- Eu deixei você ganhar, princesa! -
ele riu e tirou o relógio no pequeno bolso em sua roupa. - Sinto muito em
decepcionar, mas creio que já está na hora de entregar a princesa à realeza.
- Está bem... Vamos. - Ela suspira
abaixando a cabeça para esconder a feição triste.
- Oh, não fique triste, querida
Virginie... Prometo que logo, logo estaremos juntos novamente. - ele sorriu e
beijou a mão dela carinhosamente.
Sorrindo, Virginie voltou a enlaçar
seu braço ao de Richard, voltando para festa.
Genevieve voltou pra festa com cara de
poucos amigos. Se antes já não gostava de Alexander, agora sua antipatia
aumentara. Quem ele pensava que era para fazer aquilo? Beijá-la de surpresa,
como se fosse uma das mulheres com a qual estava acostumado a lidar? E o
pior... Ela gostou do beijo. No fundo, gostou, mas transformou isso em ódio.
Ainda bem que nunca mais veria o tal Rei na sua frente.
O rei voltou ao seu trono com um
sorriso no rosto e fazia questão de trocar olhares com Genevieve, que, ao seu
ver, ficava linda com aquela cara de irritada. Virginie também voltou ao seu
trono, mas agora o seu humor estava bem melhor. Ao ser perguntada pelo irmão
onde estava, ela inventou uma desculpa dizendo que tinha ido ao toalete.
Assim como o irmão, Virginie trocou vários
olhares com Richard durante toda a noite e no fim da festa, se despediram
formalmente. Quando os principais convidados tinham ido embora, ela pediu
licença e foi para o seu quarto, deitando com um sorriso no rosto pela primeira
vez em muito tempo.
Continua ...
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