quinta-feira, 1 de maio de 2014

Royals Love_Capítulo 01




Capítulo 1 - Ano de 1805

O Rei Henrique Dimir Oleander Tussaud olhava com orgulho para seu filho mais velho. O Príncipe Alexander Henri havia completado vinte e dois anos algumas semanas atrás e, apesar de novo, Rei Henrique sabia que ele estava pronto para governar seu reino com mãos de ferro.

Sempre fora assim. Seus antepacidos ensinaram a sua geração que, não importa o que aconteça, sua dinastia e seu reino viriam sempre em primeiro lugar. Seu avô passou isso para seu pai, que passou para ele e agora ele passava para o seu filho. Sabia muito bem que, caso alguma fatalidade viesse lhe ocorrer, Alexander o substituíria com toda a sagacidade que havia no sangue nobre de sua família.

- É de suma importância, Alexander, que preste bastante atenção em cada canto de Vernay. Sabes que esse é o principal reino que adora competir com o nosso, mas somos superiores à eles em praticamente tudo, a começar por nossa família.

Alexander olhou a seu pai pelo espelho. O rei estava sentado em uma poltrona alta, enquanto o filho era vestido por um serviçal.

- Sei disso, meu pai. Como também sei que chegar de surpresa a esse país irá desestabilizar completamente aquele reinado digno de pena. - ele riu. - Aquele rei Nicholas é um fraco perante a nós, meu pai. Tenho certeza que logo estará devendo até suas próprias calças para o nosso reino. - ele olhou para o pai, com seu melhor olhar perverso. - Eu faço questão de que isso aconteça.

Pai e filho riram, sabendo que isso estava prestes a acontecer.

Quando receberam a carta do Rei de Vernay, Nicholas Léon Blanchard Bellemare, que pedia um empréstimo em dinheiro para seu reino, Rei Henrique soube imediatamente que poderia tirar um bom proveito disso. Enquanto Vernay era um reino rico em agricultura e conhecido por suas famosas armas de fogo e espadas, Modrieva era conhecida por ser a capital dos negociadores.

Algo que faziam questão de levar adiante, era que sempre, em qualquer situação, Modrieva tinha de sair ganhando. Dessa vez não seria diferente.

Não responderam a carta do Rei Nicholas, ao invés disso, pensaram que seria muito mais descente chegar de surpresa e vê de perto a real necessidade do reino vizinho. Queria estudar a área, saber o que poderia tirar de proveito de tudo aquilo. Não eram bobos e jamais emprestariam dinheiro por simplesmente serem bons. Algo teria de voltar para eles, e rápido.

Uma comitiva completa saiu com o Príncipe Alexander Henri. Chegaram ao reino vizinho em um dia e meio depois de deixarem Modrieva. Alexander fez questão de olhar bem tudo ao redor, o que mais percebia nas ruas eram pessoas de classe baixa, operários que logo cedo já andavam com seus cestos de legumes e verduras, deixando claro a atividade agrícola na região.

Aquilo o fez rir. Um reino praticamente tomados pelos operários e pessoas de nível inferior. Agora entendia-se o por que de terem pedido empréstimo ao seu reino; que nobre gostaria de investir em um lugar como aquele?

A cada momento ele perguntava a um de seus conselheiros, que conhecia muito bem cada canto daquela região, o que estava acontecendo ou se aquilo que via era uma constante naquele país. Rindo, seu conselheiro lhe disse que sim, mas que logo depois que a manhã passasse, os nobres começariam a desfilar pelas calçadas.

Sua comitiva não passou despercebida, o brasão que carregava em sua luxuosa carruagem fez com que todos prestassem mais atenção em sua visita. Hospedaram-se em uma mansão de seu conselheiro e depois de um breve descanso, um dos mensageiros do Rei Nicholas foi oferecer hospedagem em seu castelo. Alexander mandou um de seus conselheiros negar o a estadia, alegando que não demoraria mais do que o suficiente naquele país.

Quando saíram novamente, a rua já estava tomada por jovens burgueses, que sabiam o status que tinha, olhando para alguns dos poucos operários com desdém.

- Finalmente descobrimos que há pessoas sensatas nesse país medíocre. - o príncipe murmurou, observando a movimentação da rua pela janela de sua carruagem.

- Eu lhe disse que logo os nobres começariam a circular pela região... Apenas operários acordam antes das cinco da manhã, Alexander. - Paolo, seu conselheiro, riu com o próprio comentário.

Mas Alexander não prestou a mínima atenção. Tudo dentro dele estava voltado para uma jovem sorridente, de aparência bastante rica, que conversava com uma moça que trabalhava em uma loja de hortalícias. Ele ficou intrigado; ela parecia ser de uma classe muito superior, para ficar conversando com uma qualquer. Próximo a ela havia um homem vestido em trajes elegantes, que observava a todos sem ter o mínimo de expressão no rosto.



- Quem é ela? - Alexander perguntou, apontando para a jovem.

- Creio que não acreditará quando lhe contar... - o mensageiro balançou a cabeça com desdém.

- Pois conte-me, Paolo. Sabes que não tenho a vida inteira para esperar sua boa vontade.

Com um suspiro, Paolo olhou novamente para a jovem.

- Essa é Genevieve Marie Blanchard Bellemare, Alexander.

O príncipe não conseguiu impedir que seus olhos se arregalassem. Até mesmo sua boca se abriu um pouco. Ele conhecia muito aquele sobrenome...

- A princesa?

- Sim. A princesa de Vernay.

- Mas... O que fazes a princesa parada no meio da calçada, conversando com uma operária? Isso é absurdo!

- Pois penso o mesmo. Mas a princesa é muito conhecida por não diferenciar as pessoas por sua classe... Você sempre a encontrará andando pela rua e falando com o mais nobre, até o mais pobre. É realmente absurdo, mas quem vai falar isso para a princesa do país? Eu me lembro bem de que alguns nobres se reuniram ao Rei Nicholas, pedindo para que ele fizesse algo a respeito... Ninguém quer uma princesa que que fale com os mais relés mortais. Mas parece que não surtiu muito efeito.

Alexander balançou a cabeça, atordoado e raivoso.

- Pois eu duvido muito que, um dia, Virgiene faça algo como isto. - ele disse, duro. - Meu pai jamais deixaria que sua filha ficasse falando com um operário no meio da rua, como se fosse da mesma classe social que a nossa.

- Sabemos disso. Mas o Rei Nicholas não consegue nem conter a própria economia... Como fará isso com sua filha? - o mensageiro riu novamente.

Alexander apenas assentiu, voltando a observar a princesa. Era incrivelmente bela, de um jeito que nunca havia visto até então. Tinha os cabelos castanhos preso em um coque no centro da cabeça e usava um vestido rodado de cor clara. Por cima, um echarpe de lã com aparência cara. Sorria abertamente e ás vezes passava mão sobre o braço da operária, que estava encantada por ser tratada de uma forma tão cordial pela princesa.

Ele poderia está louco, mas... Adoraria ter ao menos um minuto de prosa com ela. Queria saber se ela tratava um homem com a mesma simpátia com a qual tratava a operária a sua frente. Seria ela compromissada? Logo descartou essa hipótese. Que noivo com ao menos meio por cento de consciência deixaria sua noiva, uma princesa, falar com uma simples operária?

Se ela fosse sua... Ah, se ela fosse sua, ele jamais permitiria tal afronta, pois sim, isso era uma afronta para o reino ao qual ela fazia parte.

- Quantos anos tem? - ele perguntou.

- Dezoito. Completou no começo do ano. - Paolo olhou pra ela com interesse. - És uma bela mulher, não? Confesso que adoraria tocar nela, de uma forma íntima... - ele sorriu de lado.

Alexander virou-se pra ele, tinha uma sobrancelha arqueada e cara de poucos amigos.

- Ponha-se em seu devido lugar de conselheiro, Paolo. Até parece que o rei daria a mão de sua filha a uma pessoa com menos da metade da fortuna que ele tem. Casamento é, acima de tudo, uma jogada de interesses. Se esse tal Rei Nicholas for um pouco inteligente, dará a mão de sua filha ao homem mais rico da sociedade e esse homem, com certeza, não é você. - ele disse, ácido.

Paolo sorriu, sem graça.

- Então... Ele deveria dar a mão dela à você, Alexander. - murmurou, completamente sem graça.

Alexander ficou quieto por um momento e logo depois sorriu de lado. Uma ideia bastante consistente formando-se em sua mente, enquanto via a princesa se afastar junto ao serviçal que fazia sua segurança.

- Mande-o seguir viagem, Paolo. - Alexander disse, apontando para o serviçal que operava sua carruagem. - Tenho uns jogos de interesses a fazer e estou bastante excitado para fazer isso.



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Após a visita bastante produtiva que havia feito a Vernay, Alexander voltava para casa com um sorriso no rosto.

Havia feito um acordo com Rei Nicholas, que consistia em empréstimo de valores alto que Modrieva faria a Vernay. Como pagamento, seu reino receberia armas de fogo e espadas, meio por cento dos impostos do reino e mais meio por cento de toda a produção agrícola da região.

Rei Nicholas sabia que era um tanto absurdo todo aquele pagamento, que já contava com os juros do empréstimo, mas não tinha muito o que fazer... Seu reino estava passando por um momento difícil, onde os burgueses, não satisfeito com seu governo, estavam se rebelando contra ele e a economia ficava cada vez mais fraca. Aceitou a oferta do príncipe sem ter muitas opções de discordância.

Alexander estava bastante satisfeito com o que conseguira, principalmente com o modo que continuaria a cobrar a dívida do Rei de Vernay. Mal esperava para chegar ao seu reino e contar a seu pai, detalhe por detalhe, de tudo o que vira e, principalmente, de toda a negociação.

Mas sua alegria se foi no momento em que pisara em Modrieva. Encontrara sua mansão com todos os serviçais e visitantes com expressões desoladas, e logo foi informado que sua irmã estava de uma maneira ainda pior, trancada em seu quarto e chamando por ele.

O desespero o abateu e tudo se esvaiu quando soube que o chalé onde o pai e a mãe - Rainha Liane Victoria Oleander Tussaud - estavam, havia pegado fogo. Não restara nada, nem mesmo um móvel em pé para contar história.

No momento ele queria bater alguém, colocar a raiva pra fora, chorar alto como um menino. Mas toda a responsabilidade do momento caiu em seus ombros de uma maneira nauseante. Eram pessoas perguntando como tinham de proceder, enquanto detalhes de um novo reinado era decidido por seus conselheiros.

Ele sentia raiva deles, pois em um momento difícil como aquele, eles já estavam pensando que teriam de anunciá-lo como novo Rei de Modrieva. Era difícil se conter.

- Nós sentimos muitíssimo, Alexander. Mas o reino não parará por conta disso. Seu pai já o havia preparado para sua possível perda. Foi cedo, confessamos... Mas temos de seguir em frente. - um dos conselheiros lhe disse.

Alexander apenas sacudiu a cabeça de modo que mostrava que não estava disposto a discutir aquilo. Tinha algo mais importante a fazer. Subiu as escadas e foi em direção ao quarto da irmã. Ao ouvir a voz de seu irmão mais velho, Virgiene Louise saiu da cama e abriu a porta, jogando-se nos braços do irmão.

- Por que, Henri... Por que isso foi acontecer com nossos pais? Eu não suportarei perdê-los! - ela gritou sua dor, chorando no peito dele.

Alexander apenas abraçou sua irmã e juntos, choraram toda a dor. No enterro de seu pai, todos os nobres e até mesmo pessoas de classe inferior reuniram-se na principal Capela da cidade para o velório. O enterro foi realizado e apenas pessoas nobres poderiam acompanhar o acontecimento.

Modrieva ficou em estado de luto por três dias completos, onde nada se fazia e todas as ruas ficaram silenciosas. Alexander observava o jardim de sua casa, ouvindo palavra por palavra do que seu pai sempre lhe dizia:

"Esse reino é nossa casa, Alexander. Um dia tudo isso estará sob o seu domínio e eu quero que você, meu filho primogênito, continue o erguendo com mãos de ferro."

Nesse momento a dor se tornou menor. Nunca curaria, isso era verdade, mas ele sabia que agora seria capaz de suportar tudo aquilo.

Tinha um país pra governar. E o lideraria como seu pai sempre o ensinou, colocando sempre seu reino em primeiro lugar.


Continua...

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